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Braga IT

NewsIntelligence1 de outubro de 2026

IA sob sigilo: o Copilot no jurídico, com o confidencial protegido

Automação do repetitivo, proteção do confidencial. O Microsoft 365 Copilot leva a inteligência artificial para dentro do ambiente do escritório, em vez de levar os dados do cliente para fora dele.

Toda conversa sobre inteligência artificial no jurídico começa pela mesma pergunta: para onde vão os dados do meu cliente? É a pergunta certa. Na prática, o time já usa IA, muitas vezes em ferramentas gratuitas, sem contrato nem controle. O risco real hoje é esse uso não autorizado, e não o Copilot corporativo.

Três especialistas da Braga IT respondem ao que o jurídico quer saber antes de qualquer outra coisa: os meus dados estão seguros, o que muda no meu dia e como eu começo.

Os dados não saem do escritório

O Copilot não é um site externo. Ele roda dentro do Microsoft 365 que o escritório já usa, com o mesmo contrato e as mesmas proteções. Prompts, respostas e documentos não treinam os modelos de IA, os arquivos continuam no SharePoint, no OneDrive, no Outlook e no Teams, sem cópia paralela, e as interações podem ser auditadas pelo Microsoft Purview.

O ponto de atenção é outro: o Copilot só enxerga o que o usuário já pode abrir. Se a pasta de um cliente está aberta para o escritório inteiro, ele vai encontrar. Os casos mais comuns são pastas compartilhadas com todos, links do tipo “qualquer pessoa” e grupos antigos, com ex-colaboradores. É assim que um estagiário pede contratos com multa rescisória e recebe arquivos de um cliente que ele não atende.

A IA não cria o vazamento, ela revela a permissão errada. Corrigir isso protege o escritório com ou sem IA.

Bárbara, GRC, Governança e Riscos da Braga IT

Por isso a governança vem antes da IA. São quatro frentes, que a Braga conduz junto com o escritório:

  • Revisão de acessos por cliente e por processo.
  • Rótulos de sensibilidade nos documentos críticos.
  • Retenção e auditoria das interações com IA.
  • Política interna: ferramentas permitidas, dados permitidos e revisão obrigatória.

A Microsoft garante a plataforma e atua como operadora dos dados. O escritório continua controlador e responsável pelo uso, em linha com a LGPD e com as orientações da OAB sobre supervisão humana, responsabilidade do advogado e cuidado com dados confidenciais. Para reuniões sensíveis com clientes, o Teams permite usar o Copilot apenas durante a reunião, sem manter a transcrição depois.

O que muda no dia a dia

Pensa na última semana. Quanto tempo foi para ler contrato, resumir e-mail, montar ata, procurar aquele modelo? É aí que o Copilot entra.

Diego, Team Leader de IA e Automação da Braga IT

O Copilot trabalha dentro dos aplicativos que o time já usa, em português e com as minutas e os modelos do próprio escritório como base:

  • Contratos no Word: compara o contrato do cliente com a minuta padrão do escritório, aponta as divergências por nível de risco e sugere redação para a cláusula mais crítica. A primeira leitura sai em minutos.
  • Consultoria no Outlook: resume uma longa troca de e-mails, com pedidos, prazos e pendências, e rascunha a resposta formal. O cliente recebe o primeiro retorno no mesmo dia.
  • Estratégia no Teams: registra decisões, responsáveis e prazos da reunião, gera a lista de tarefas do time e reúne os argumentos que sustentam e os que contrariam a tese discutida.

Ninguém precisa saber programar. O que faz diferença é saber pedir: um bom pedido tem objetivo, contexto, fonte e formato.

A regra de ouro é simples: o Copilot rascunha, o advogado decide. Como qualquer IA generativa, ele pode errar. Por isso ele mostra as referências de cada resposta, a jurisprudência é sempre conferida em fonte oficial e nenhuma peça sai sem revisão.

Como começar com método

Antes de ligar o Copilot, a gente arruma a casa. É rápido e a Braga conduz.

José Neto, Team Leader Operacional da Braga IT

O Copilot é ativado sobre o Microsoft 365 atual, sem troca de ambiente, e aparece nos aplicativos de sempre. A preparação tem quatro passos:

  • Licenças: plano Microsoft 365 elegível e ativo para os usuários.
  • Permissões: revisão de acessos com o apoio do time de GRC.
  • Pessoas: um responsável do escritório e um grupo piloto com perfis diferentes.
  • Casos de uso: duas ou três tarefas prioritárias para medir.

Adoção sem método vira teste esquecido. Por isso o início segue um plano semana a semana: ativação e primeiros pedidos, casos do dia a dia, rotina com pedidos salvos e compartilhados e, por fim, medição de resultado.

No fim, a decisão é com números, não com impressão: usuários ativos e frequência de uso, tempo das tarefas antes e depois e a percepção do time. Não é preciso licenciar todo mundo. A recomendação é manter as licenças de quem gerou valor e expandir aos poucos.

Os seus dados ficam no seu ambiente. O Copilot cuida do repetitivo. A Braga acompanha cada passo.

Alexandre ForchezattoCOO e CTO. Leitura de 6 min.

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